sexta-feira, 13 de julho de 2018

UM LIVRO DE ROMANCE E SUSPENSE




MEDO DA VERDADE
UM LIVRO DE JÉSSICA MORGAN 





CAPÍTULO 1



1
0 de Junho do ano de 2009, últimos dias de aula para os jovens que se formavam na Universidade de Columbus, capital de Ohio, nos Estados Unidos da América. Melissa era uma destes jovens que acabava de se formar em Psicologia.
Ela e os amigos estavam na expectativa de voltarem para casa em sua cidade natal. Mel, assim carinhosamente chamada por todos que a conhecem, é uma garota de 22 anos, de aparência doce e delicada, muito reservada. Alguns confundem sua discrição com timidez. Tem um estilo despretensioso, não gosta de ser o centro das atenções, isso de certa forma tornava-se quase impossível diante de sua beleza, seus belos olhos verdes claro que em determinada hora do dia, poderiam transformar-se num tom mais escuro. Seu cabelo castanho claro ondulado abaixo dos ombros chama a atenção para seu corpo magro e bem delineado. Morava com seus pais e seu irmão caçula de 16 anos em uma cidadezinha no interior de Ohio chamada Coldwater, onde passou toda sua vida a não ser no tempo em que estudou fora.
Mel e três de seus amigos de infância saíram de sua cidade natal para estudar. Todos conseguiram ser aceitos na mesma universidade; assim não tiveram que se separar, podendo manter o contato diário.  Apenas um de seus amigos, Peter, permaneceu na cidade sem frequentar a universidade.
Peter era o mais velho de todos eles com 24 anos, não vinha de uma família com posses, não tinha condições de fazer um curso superior. Sua mãe faleceu ainda quando era criança e seu pai teve que trabalhar muito e criá-lo sozinho. Eles trabalhavam dia e noite em uma marcenaria improvisada na garagem de sua casa. O Senhor Paul pai de Peter, se tornou um homem muito amargo desde a morte de sua esposa. Moravam em uma casa simples, mas fez de tudo para dar o melhor que podia ao filho. E conseguiu, o tornou um homem forte e de princípios, apesar do pavio curto que ressaltava sua personalidade. Peter sentia a falta dos amigos que estudavam fora, mas sempre os via quando passavam as férias ou feriados em casa, sem dizer que conversavam sempre pelo computador. Peter era um homem tosco como os outros homens do interior de Ohio. Tinha braços fortes que adquiriu carregando madeiras pesadas para construção dos móveis, não era muito bonito, mas mesmo assim fazia sucesso com as garotas da cidade. Mulheres essas que não desprezavam nenhum pretendente, pois morriam de medo de ficarem solteiras. Peter passou toda a vida abafando um amor que guardou desde sempre consigo, por sua amiga de infância Susan.
Mel e Susan eram melhores amigas desde sempre, tinham a mesma idade, mas eram diferentes. Susan é extrovertida, extravagante. Abusava de sua sensualidade ao usar decotes, saias e shorts curtos. Seu corpo, por si só já chamava a atenção dos homens e de mulheres que muitas das vezes, olhavam somente para criticá-la por inveja ou qualquer outra coisa. Usava uma cor forte nos cabelos, um vermelho fogo que fazia um lindo contraste com sua pele clara e seus olhos castanhos. Para destacar os lábios, quase sempre usava um batom vermelho. Susan escolheu fazer Psicologia também, não era por uma grande vocação, mas porque sabia que teria sempre sua amiga para ajudá-la. Mel sempre tirava boas notas e Susan sempre pegou carona no seu bom desenvolvimento escolar. Seu forte não eram os estudos, mas sim sua aparência.  Era uma boa garota, mas sempre alvo de comentários. Talvez por ser de uma família desajustada, já se acostumara a olhares críticos ou de piedade de seus vizinhos.  Foi criada em uma casa com pais ausentes: o pai alcoólatra, a mãe se tornou depressiva com as crises no casamento. Susan quando em casa se tornava responsável pelo lar, cuidando de todos os afazeres e de sua mãe. Em muitos momentos era ela quem preparava a refeição e a levava ainda na cama. Com os amigos era o momento de se sentir uma jovem normal e esquecer-se dos problemas.
Não era só Susan que tinha problemas familiares, Henrique também os tinha. Ele morava com sua mãe e seu padrasto. Sua mãe Lucy nunca foi capaz de perdoar o pai de Henrique por abandoná-la, quando ele ainda era bebê. Seu pai saiu para trabalhar e nunca mais voltou. Sem motivo aparente e sem nenhuma solução policial, sua mãe acreditava cegamente que ele havia os deixado, por talvez não amá-la mais. Apesar de tudo, Lucy se sentia uma mulher de sorte por ter encontrado George em sua vida. Um bom homem com quem se casou e teve mais um filho, Ryan. Henrique era um homem muito bonito, cabelos lisos de cor clara, puxado para o loiro, olhos castanhos esverdeados que eram capazes de hipnotizar qualquer mulher. Tinha um corpo atlético, gostava de esportes, foi capitão do time de futebol na época do colegial, o mesmo que lhe proporcionou uma bolsa para a faculdade de Direito.
Ele e Mel namoravam desde o início do curso. Henrique resolveu sair de cima do muro e pedi-la em namoro, ficou com medo de que quando fossem para a universidade ela conhecesse pessoas novas e se interessasse por outros rapazes, não podia suportar a ideia de vê-la com outro homem que não fosse ele. Para Henrique conquistar as mulheres era fácil, mas com Mel foi diferente, ela havia sido a única mulher a quem passou uma vida toda tentando conquistar e mesmo assim não estava certo de que havia conseguido. Mel tinha que lidar diariamente com o ciúmes de Henrique, talvez esse fosse seu maior defeito. Para alguns era a forma que ele tinha de demonstrar seu amor, para outros significava uma total insegurança diante da relação.
Henrique tinha 23 anos, três a mais que seu irmão caçula, Ryan. Além de irmãos eram grandes amigos. Filho do segundo relacionamento de Lucy, Ryan assim como o irmão também cursava Direito, faltando três anos para se formar. Um rapaz bonito que puxou os olhos verdes de sua mãe e a pele mestiça, pela mistura de raças de seu pai afrodescendente e sua mãe caucasiana. Isso às vezes era motivo de muitas confusões, comentários e piadas, já que se tratava de um casal inter-racial em uma cidade do interior. Quando crianças, Henrique e Ryan sofreram muito com o preconceito das outras crianças da cidade e dos adultos também. As pessoas não aceitavam Lucy ter se casado com um homem negro. Mas com o passar dos anos, eles foram aprendendo a conviver com suas diferenças e o preconceito foi diminuindo.
Mel estava nervosa, pois combinou com Henrique que eles só fariam sexo no último dia, ainda na universidade. Isso porque ela queria que fosse diferente e especial para os dois, e esperar todo esse tempo poderia mostrar que o que sentiam era verdadeiro e independia de sexo. Mel tinha certeza que amava Henrique, mas também sabia que faltava algo na relação que a fizesse sair do controle, parar de pensar e apenas se entregar ao sentimento.
Susan a ajudou preparar o quarto que dividiam para o dia especial, o mais discreto possível para não sofrerem nenhuma punição nas dependências da universidade.
– Estou nervosa com tudo isso – disse Mel, ao sentar-se na beira da cama.
– É assim mesmo a primeira vez, eu acho... – Dizia Susan tentando se lembrar de como foi a sua primeira vez.
– Qual conjunto você acha melhor, a branca ou a vermelha? – perguntou Mel, indecisa.
– Qualquer uma, você vai descobrir que ele nem vai reparar. – Respondeu Susan ao acender um cigarro; hábito esse que Mel odiava, mas já estava acostumada com o vício da amiga.
– Obrigada! Esta me ajudando muito. – Disse Mel com ironia. Em seguida se levantou da cama franzindo o cenho, demonstrando preocupação. Susan apagou o cigarro e começou a mastigar um chiclete, costume que tinha para refrescar o hálito após o cigarro.
– Desculpa, vai! É que você é a única virgem da face da terra.
– Constatou Susan com sarcasmo e continuou: – Sabe que eu não entendo isso, por que demoraram tanto tempo.
– Primeiro não sou a única, tem muitas mulheres que esperam o casamento para fazer sexo. – Constatou.
– Sei.  – Murmurou Susan com sarcasmo e continuou: – Mas nesse tempo todo nunca teve vontade de ficar com ele?
– Claro que tive, mas sempre soube que podia esperar. – Respondeu.
– Mas voltando ao assunto da virgindade, pode crer que você é a única sim. – Disse Susan a sorrir e despertar em Mel um sorriso também.
As duas começaram a organizar as velas que iriam iluminar o quarto e colocar uma bela roupa de cama. E depois que acabaram, Susan ajudou Mel a arrumar os cabelos.
– Fica calma! É pra ser divertido. Relaxa, ele saberá o que fazer.

Em outro prédio do campus da universidade, Henrique e Ryan, que dividiam o mesmo quarto, estavam arrumando as malas para voltarem pra casa no dia seguinte. Ryan podia sentir na expressão do irmão o nervosismo.
– Está preparado para hoje à noite? – Ryan quis saber.
– Estou tranquilo. – Respondeu Henrique.
– Dá pra se notar. – Disse Ryan a conter um sorriso.
– É diferente cara. A conheço a vida toda, mas hoje vou ver um outro lado dela que eu nunca vi antes, algo mais íntimo... Isso me deixa um pouco nervoso.
– Fica tranquilo, você a ama e ela o ama também, vai correr tudo bem.
– É eu sei. – Disse Henrique sem ter muita certeza.

Quando a noite caiu e no relógio já marcava a hora combinada, Mel esperava ansiosa por Henrique. Seu nervosismo aumentou quando ouviu de leve três toques à porta, como eles haviam combinado. Ela hesitou por um instante, deu uma última olhada no espelho, passou as mãos no vestido e abriu a porta.
– Oi! – Disse ela, que o beijou rapidamente e o fez entrar.
– Você está linda! – Exclamou ele com um sorriso na face, olhando-a de cima para baixo.
– Você também. – Mel sorria e olhava o buquê de flores em suas mãos.
– São para você, sei que são suas preferidas. – Disse ao entregar-lhe um ramo de flores do campo. E continuou: – Trouxe esse vinho também.
Enquanto ele abria o vinho, Mel colocava uma música num volume bem baixo de uma forma que só eles poderiam ouvir.
– Vamos brindar a quê? – Perguntou Henrique ao lhe entregar um copo comum com vinho.
– Não sei; pode ser a nós.  – Respondeu ela.
– Eu quero brindar a você, pelo jeito sexy como joga o cabelo, o jeito sem graça que fica ao receber um elogio, por não ter desistido de mim, por ser minha amiga e minha namorada. – Disse ele ao se aproximar, beijando seu rosto vagarosamente e a olhando nos olhos: – Por você existir e ser minha. – Sussurrou ele ao pé do ouvido.
Henrique pegou o copo que estava nas mãos dela e colocou junto ao seu em um móvel, voltou a ela e entrelaçou uma das mãos nos cabelos de sua nuca. Com a outra mão a puxou para junto de seu corpo e aos poucos foi abaixando a alça do vestido preto curto que ela usava, beijando seus ombros delicadamente. Ele podia sentir o coração dela bater mais forte, mas naquele momento ele já não sabia se era o barulho do coração dela ou do dele. Ele a deitou na cama e foi acariciando sua pele macia, ela parecia tão desprotegida ao seu lado que mais vontade ele sentia de tocá-la e mostrá-la que ele estava ali para protegê-la. Ele sussurrou por diversas vezes que a amava. E assim eles se amaram pela primeira vez. Primeira vez de ambos, pois era assim que Henrique se sentia depois de ter feito amor com ela; ele não podia se lembrar de ter tocado nenhuma outra mulher em sua vida, nenhuma o fez se sentir tão completo quanto se sentiu naquela noite.

No dia seguinte, os quatro amigos estavam na estrada a caminho de casa. Com a velha caminhonete vermelha de Henrique abarrotada de malas e de utensílios pessoais encaixotados. Entre uma conversa e outra, Susan acendeu um cigarro e colocou o braço para fora da janela, soltando a fumaça contra o vento.
– E aí, vocês não vão contar como foi à noite de ontem? Afinal de contas, eu dormi fora do meu quarto, acho que mereço saber! – Disse Susan num tom engraçado.
Todos começaram a dar risadas, Mel balançava a cabeça em sinal de reprovação ao comentário da amiga e tratou logo de mudar de assunto, mas antes se virou para o banco de trás e disse em tom baixo a Susan:
– Você estava enganada quando disse que ele não iria reparar.
Elas sorriram, Henrique e Ryan sorriram junto, um riso contido já que não sabiam a respeito do que se tratava.
– Estou louca para saber como vai ser esse baile que nossos pais estão preparando pra gente. – Disse Mel, fugindo de dar explicações sobre suas últimas palavras.
– E, não se anima não, será a reunião dos caipiras. – Disse Susan apagando seu cigarro e pegando um chiclete para mastigar, continuou: – Música brega, gente brega... – Dizia, ao fazer uma careta.
– Até parece que você não é um deles. – Disse Ryan, provocando-a.
Susan se aproximou, o surpreendendo com um leve tabefe no topo da cabeça. – Cala boca moleque, um deles uma ova! – Disse ela num tom sério.
– Ai! – Gemeu Ryan. – É sim, uma caipirinha também. – Provocou-a novamente.
– Eu vou te mostrar quem é a caipira! – Disse Susan que começou a faze-lhe cócegas. Ryan pedia socorro sem parar.
– Retira o que disse! – Ordenou em tom de brincadeira.
Ryan que não aguentava mais sorrir; acabou cedendo. – Você não é uma caipira – Disse sob pressão.
Mel com o corpo voltado para o banco de trás, observava toda cena sorrindo e proferiu: – Eu não me importo de ser caipira.
Henrique desviou por alguns segundos os olhos da estrada, e os direcionou a ela.  – É a caipira mais linda que eu já vi! – Disse sorrindo ao beijá-la rapidamente no nariz.
Susan fez um sinal de nojo da cena romântica em direção a Ryan e os dois começaram a sorrir.

Algumas horas depois, chegaram a Coldwater. Observavam por suas respectivas janelas as pessoas, rostos conhecidos de toda uma vida, lugares de onde guardavam as melhores recordações. Uma cidade pequena. Do carro podia-se ver o café do Bill onde adoravam passar a maior parte do tempo, saboreando a culinária local e jogando conversa fora. Mas naquele momento só havia um lugar que eles queriam ir e uma pessoa que ansiavam ver.
Quando Peter viu de sua garagem onde trabalhava com o pai, a caminhonete vermelha de Henrique que por si só já fazia barulho suficiente, acompanhada das buzinas exaltadas dos amigos, o sorriso em seu rosto mostrava a alegria que sentia em ouvir aquele som. Rapidamente, parou de cortar a madeira para um móvel novo que estava fazendo, tirou a caneta que sempre colocava atrás de uma das orelhas para marcar o lugar de corte da madeira; e foi em passos rápidos ao encontro dos amigos, sendo recepcionado com abraços calorosos de cada um deles. Não havia muito tempo que se encontraram, mal havia passado uma semana da entrega dos diplomas dos jovens ainda na universidade, onde os familiares se reuniram e, claro, o amigo estava junto deles.
– Achei que só viriam amanhã. – Disse Peter.
– Queríamos fazer surpresa! – Mel disse feliz ao rever o amigo.
Colocavam um pouco do papo em dia, matando um pouco das saudades, até Paul chegar de esquina na marcenaria e dar um assovio como sinal para Peter voltar ao trabalho.
Susan jogou fora o chiclete que mastigava desde o último cigarro e dirigiu-se a Peter:
– O velho chato não mudou nada. – Constatou, já que não se conteve diante da cena.
– Susan! – Mel a repreendeu com o olhar severo.
Peter já estava acostumado com seu jeito e nem se importava.
– Amanhã te vemos no baile, não é, cara? – Perguntou Henrique. Antes que Peter pudesse responder, Mel o fez: – Claro! Que graça teria? Amanhã, estaremos todos juntos. – Afirmou.
– Nós, e toda cidade. – Disse Peter a ironizar.
– Amanhã vou matar as saudades da mulherada. – Disse Ryan, que fez com que todos sorrissem.
– Do que estão sorrindo? Vou mesmo! – Disse convicto.
– Até parece, entra logo aí! – Disse Susan, empurrando-o para dentro do carro.
Depois de se despedirem de Peter, seguiram para casa.
Naquela noite, todos comeriam praticamente a mesma coisa, suas mães preparariam frango frito com purê e ervilhas; de sobremesa comeriam um bom pedaço de torta de maçã feita em casa ou comprada em qualquer esquina, afinal era uma tradição em Coldwater. Tirando Susan, que odiava aquela cidade e desdenhava seus moradores, todos os outros estavam felizes por estarem de volta em casa.

No dia seguinte, dia do baile que os pais de Henrique, Mel e Susan se reuniram para fazer e comemorarem o diploma dos filhos, Mel e Susan saíram bem cedo para ver se conseguiam comprar um vestido novo para o baile. Paradas em frente a uma loja, observavam alguns modelos.
– Que ridículo! Se minha querida avó ainda fosse viva, nunca iria querer vestir uma coisa dessas. – Disse Susan ao acender um cigarro.
– Eu não achei tão ruim, vamos experimentar? – Perguntou Mel.
– Meu Deus, o que eu faço com essa menina? – Disse Susan indignada, despertando um sorriso em Mel.
Quando decidiram entrar na loja, foram interrompidas, por duas velhas conhecidas que as pararam para conversar.
– Olá, meninas! – Cumprimentou a moça.
– Oi! – Respondeu Mel meio sem jeito.
Susan nem se dignou a parar de tragar seu cigarro, para responder o cumprimento das garotas. Elas não se davam muito bem, por isso Susan não fazia tipo tentando ser agradável com elas. Tifany era prima de Samantha, as duas faziam o tipo de garotas que adoravam participar de concursos de beleza. Cabelos loiros, e olhos claros, elas eram a sensação da cidade e concorrentes de Susan.
– Você não mudou nada, Susan. – Disse Tifany ao olhá-la de cima em baixo.
– Só se for para melhor, eu sou igual vinho, o tempo só me melhora. – Disse Susan, ao apagar o cigarro e pegar um chiclete para mastigar.
Mel mal pôde esconder o sorriso, então tentou aliviar o clima.
– Estamos olhando vestidos para o baile, vocês vão? – Quis saber.
– Vamos sim. – Respondeu Samantha que não era tão implicante quanto sua prima.
– Achei que vocês viriam com vestidos novos da capital. – Disse Tifany a provocar.
– Eu sei que essa gente está esperando pra ficar comparando os vestidos da festa, mas achamos melhor não deixar os convidados se sentido mal arrumados. – Respondeu Susan a provocação.
O clima tenso foi quebrado quando parou ao lado uma caminhonete Ford, sofisticada de cor prata, com dois rapazes com jaquetas pretas que lembravam a década de oitenta.
Susan virou a cabeça e cochichou a Mel:
– Era só o que estava faltando, mais caipiras, logo vai começar a quadrilha.
Mel tentava disfarçar o sorriso que se formava em seu rosto, enquanto trocava olhares divertidos com Susan.
– Oi, gatinhas! – Disse um dos rapazes.
Susan suspirou de forma debochada, pois também conhecia aqueles rapazes.

Um deles era o filho caçula do Senhor Foster, um dos homens mais ricos da cidade, além de fazendeiro, tinha várias ações em indústrias locais. Brad, um rapaz atraente, considerado um bom partido para as garotas da cidade. Deveria ter uns 23 anos, arrogante, pretensioso, achava poder tudo por ser filho de quem era. Vivia arrumando confusão, mas sempre saía limpo; seu pai conseguia fazer com que o xerife fizesse vista grossa às suas armações.
– Está diferente, Susan, mais bonita e sexy.
Susan deu uma olhada provocativa para as duas garotas e pegou um cigarro, Brad rapidamente providenciou um isqueiro, criando um clima entre os dois.
– E você Mel, meu irmão vai ficar feliz em saber que você está na cidade, pena que ele não chega a tempo do baile, está em outra cidade a trabalho.
O irmão mais velho dele chama-se Dean. Era completamente diferente de Brad, educado, sempre procurava se manter longe de encrencas. Fisicamente eram bem parecidos, Dean também era muito atraente. Antes de Henrique, Mel e Dean namoraram pouco tempo, mas acabou não dando certo e ele foi estudar fora e quando voltou à cidade, era Mel quem estudava fora, suas vidas ficaram desencontradas, depois do término do namoro. Eles conversaram mais um pouco, Mel e Susan desistiram das compras, ainda teriam que arrumar as unhas e cabelos, não daria tempo antes do baile.
No caminho de casa, iam sendo o centro das atenções, todos as cumprimentavam e aproveitavam para reparar nos trajes ousados de Susan e fazer comentários sobre o seu comportamento. Elas nem se importavam!
– Senti que você ficou diferente ao ouvir o nome do Dean. – Afirmou Susan.
– Impressão sua. – Rebateu.
Susan não se contentou com a resposta da amiga e lançou um olhar insinuante sobre ela.
– Tem certeza? – Perguntou Susan provocando, logo emendando uma pergunta nova: – Por que vocês terminaram mesmo? – Quis saber.
– Ah, Susan, isso tem tanto tempo e falar nisso foi impressão minha ou você estava dando mole para aquele idiota? – Perguntou Mel mudando o foco da conversa. Susan confirmou que sim com um sorriso.
– Eu não acredito, ele chega a ser nojento de tão esnobe! – Disse Mel com desprezo.
– O que eu posso fazer? Você tratou de pegar o gato da turma e deixou o gato da cidade apaixonado. – Disse ela se referindo ao Henrique e ao Dean e continuou: – É o que está sobrando e não pense que me esqueci da nossa conversa, sobre o Dean. – Disse Susan a sorrir.

A noite chegou e tudo estava pronto para a festa. Todos estavam ansiosos para se encontrarem. Os pais alugaram um grande salão onde coube a maioria das pessoas da cidade, tudo estava bem decorado e havia uma banda local. A maioria dos rapazes usava smoking e as garotas seus lindos vestidos de festa. Ryan iria aproveitar para curtir esse baile como se fosse o seu, pois sabia que nem todas as pessoas da cidade aceitariam ir num baile de um mestiço. Muitos ali não iriam se o baile fosse só de Henrique. Peter aproveitaria ao máximo, já que não teria o seu próprio baile, mas estava feliz com a conquista dos amigos.
Os olhares da festa eram para Susan que colocou um vestido tão curto e decotado que chocava as pessoas mais conservadoras. Mel chegou depois de todos os amigos. Entrou no salão de braços dados com o pai e seu irmão acompanhava sua mãe. Mel vestia um vestido longo de cor azul, justo e decotado, mas nada que a fizesse se tornar vulgar; certo tanto dos cabelos presos no alto da cabeça e o restante solto e uma maquiagem suave. Henrique que pegava uma bebida da bandeja do garçom a vendo entrar no salão foi em passos rápido ao seu encontro. Com duas taças de espumante nas mãos, cumprimentou os pais dela, mostrando onde estava a mesa com seus nomes marcados. Quando eles se afastaram, ele pôde entregar a bebida a Mel e sussurrou em seu ouvido que ela era a garota mais bonita do baile.
– Quer dançar? – Perguntou Henrique estendendo a mão vaga. Mel sorrindo assentiu com a cabeça. Os dois dançaram aquela e outras músicas. E mais tarde todos os amigos dançaram juntos uns ritmos mais animados; estavam se divertindo bastante.
A noite estava muito animada e todos do salão se divertiam. Alguns dos garotos estavam agitados demais para conseguir dormir, mas a festa acabaria cedo por volta da uma da madrugada, em cidade pequena era assim que funcionava. Ryan disse aos amigos que Brad iria com um pessoal para um bar que tinha na beira da estrada que ficava aberto a noite toda, apesar de não irem com a cara de Brad, eles decidiram ir também. Outros jovens da festa também acabaram animando-se a ir.
O bar era bem típico, mesa de sinuca, uma música mais ou menos tocando e muita bebida. Mel e Henrique sentaram-se em uma das mesas com Ryan e Peter e outras pessoas, conversaram e contaram algumas experiências vividas na universidade. Peter não estava muito concentrado na conversa, não conseguia tirar os olhos de Susan que estava jogando sinuca com alguns rapazes. A expectativa no jogo era o momento em que ela baixaria para tentar encaçapar alguma bola, assim eles poderiam ver seus seios apontarem em seu decote extravagante. Ela estava bebendo demais e aproveitava para provocar os rapazes com sua sensualidade. Peter, não se contentava em observá-la, também tentava conter seus excessos. O que o estava deixando preocupando era a presença de Brad entre os outros rapazes, ele não tinha uma boa fama na cidade, mas nada adiantava sua preocupação, Susan fazia o que queria.
– Preocupado com ela? – Quis Henrique saber, se direcionando a Peter.
– É – Respondeu ele rapidamente a tomar um gole de cerveja.
– Quando vai dizer a ela sobre o que sente? – Perguntou Henrique.
– No momento certo ela vai perceber. – Respondeu Peter.
– Vou ao banheiro. – Anunciou Mel ao interrompê-los.
Henrique a olhou se afastar e em seguida retirou do bolso da calça uma caixinha de joias e abriu, mostrando para Peter, um lindo anel com uma pedra pequena de brilhante.
– Eu também estou esperando o momento certo para pedi-la em casamento. – Contou.
– Cara! Fico tão feliz por vocês! – Disse Peter ao abraçá-lo.
– Não fala nada pra ninguém, eu quero fazer uma surpresa. – Disse Henrique com um largo sorriso.
Depois de pegar um banheiro sem filas, Mel voltou à mesa.
– Voltei! – Comunicou.
O dia já estava nascendo. Todos praticamente já haviam ido embora e Mel estava deitada sobre os ombros de Henrique, exausta. Quando Peter voltou do banheiro, Henrique o chamou para irem embora, neste momento juntos e com o bar quase vazio deram falta de Susan.
– Ela estava ali agora a pouco. – Disse Ryan olhando o ambiente.
– Ela pode ter ido embora com alguém. – Supôs Henrique também correndo o olhar pelo bar.
– Não, ela me avisaria antes. – Disse Mel, certa disso.
Preocupados com Susan, foram procurá-la ao redor do bar. Mel olhou nos banheiros enquanto os rapazes a procuravam do lado de fora. Já reunidos do lado de fora do bar, Ryan tentava ligar para o celular dela.
– Caixa postal! O celular está desligado. – Afirmou ele.
De repente, eles ouviram gritos de socorro e seguiram o som da voz até o estacionamento, onde havia poucos carros ainda estacionados. Correram entre os carros e se depararam com dois homens tentando violentar Susan. Um dos rapazes estava por cima dela esbofeteando-a e a violentando sexualmente, o outro homem gravava tudo em seu celular. Era uma cena horrível de se ver. Peter e Henrique tiraram os rapazes de cima dela e começaram uma briga. Ryan e Mel ajudaram Susan a se recompor. Ryan retirou seu smoking e o vestiu em Susan, que teve seu vestido rasgado. Enquanto isso, Peter trocava socos com Brad que estava acompanhado de seu amigo Joe. Amigo este que mais parecia um dos empregados da fazenda de seu pai. Joe era de família humilde, sua mãe e seu pai, trabalhavam há anos na fazenda do Senhor Foster. Seu pai era o braço direito do chefe assim como o filho; fazia sempre o que o chefe mandava. Joe não era má pessoa, mas a vida o obrigava a fazer as coisas que Brad queria sem questioná-lo.
Em um momento rápido quando Peter deu um soco em Brad, ele caiu e conseguiu se arrastar até a parte de trás de sua caminhonete e pegar um rifle que sempre carregava.
– Solta ele agora, senão eu atiro em todos vocês. – Ordenou ele apontando a arma em direção a Henrique.
– Isso não vai ficar assim, você vai ter o que merece. – Disse Peter em tom de ameaça, com a expressão alterada.
– Essa vadia queria isso desde o começo, estava me provocando, implorando para ser violentada. – Disse Brad, que estava com o rosto muito ferido da briga com Peter, mas seu tom era sarcástico.
Ao ouvi-lo, Peter Cuspiu o sangue acumulado no canto da boca e impulsionou-se para agredi-lo, mas Henrique o impediu.
– Eu vou matar você. – Disse Peter com o mesmo tom de ameaça.
– Pode tentar e quer saber, ela nem é tão boa assim, a propaganda valoriza demais o produto de baixa qualidade. – Disse Brad com um sorriso satisfeito no rosto.  Em seguida, entraram no carro e saíram a cantar pneus.
Os amigos queriam levar Susan a um hospital e em seguida na delegacia, mas ela se recusou e pediu para que a levassem para casa. Mel achou melhor levá-la para sua casa, Susan não poderia correr o risco de seus pais a verem daquela forma. Assim, Mel pensava. Susan fez todo trajeto em silêncio, de vez em quando soltava um gemido de dor e lágrimas escorriam pelo rosto, era de cortar o coração. Mel a abraçava forte sempre que podia, amparando a amiga. Peter estava sentado no banco da frente a ponto de explodir de tanto ódio. Susan fez os amigos prometerem não contar a ninguém o que aconteceu naquela noite. E eles concordaram.
Ainda era muito cedo, os pais e o irmão de Mel estavam dormindo, elas não tiveram problema ao entrar na casa sem que ninguém as visse. Ao entrar no quarto, Susan foi direto para o banho. Enquanto lavava seu cabelo era possível ver a água de espuma do shampoo se misturar ao sangue que escorria de seu corpo e descia direto ao ralo. Tempo depois, Mel, preparou um lanche e levou até o quarto para a amiga que estava deitada e enrolada em um cobertor de forma que parecia querer esconder seu corpo, algo inédito.
– Fiz para você, pão, alface, uma fatia de queijo, outra de tomate e suco de laranja, do jeito que você gosta. – Disse Mel suavemente.
– Não estou com fome. – Murmurou Susan.
– Eu sei, mas ficar sem comer não vai adiantar nada, você devia ir à polícia.  – Susan virou o rosto para o lado e lágrimas começaram a escorrer.
– Não posso! Esses caipiras vão falar que a culpa foi minha, até meus pais são capazes de concordar. Todos vão me acusar.
– Não, não vão não... – Dizia Mel. Mas foi interrompida bruscamente por Susan que se levantou da cama, retirando o maço de cigarros de dentro da bolsa.
– Está querendo enganar quem? Crescemos neste lugar, sabemos que o pai dele manda na cidade, ir a polícia não adianta nada. - Explicou.
– Estávamos lá, nós seremos suas testemunhas. – Disse Mel. Susan sorriu com desdém.
– Eu sei, mas nós sabemos que nada vai adiantar. Estávamos nos divertindo, o Brad disse que tinha mais bebidas no carro e fomos buscar. A gente se beijou, mas era pra ser só isso. Ele insistiu em mais, mas eu não queria... Eu não queria Mel. – Disse ela ao olhar diretamente para a amiga com lágrimas a escorrer.
– Eu não sei o que dizer. – Disse Mel, comovida com a expressão triste da amiga.
Susan apagava o cigarro e soltava uma última fumaça presa na boca, olhando em direção à janela.
– Eu não devia ter voltado pra essa maldita cidade... Eu tenho um dinheiro guardado... Preciso sair desse lugar... Vou viajar e esquecer essa história.  – Susan decidiu-se.
Mel franziu o cenho, pensativa e resolveu de imediato. – Eu vou com você, nem adianta tentar-me impedir, não vou te deixar sozinha.
– Eu não vou tentar. – Disse Susan com os olhos marejados. E as duas se abraçaram calorosamente.

Na tarde daquele dia, Mel combinou de encontrar os amigos, num lugar que estavam acostumados a ir, em dias amenos. Era um campo aberto onde se recostavam embaixo de uma grande árvore para apreciar o tempo passar. Depois de acompanhar Susan até em casa, seguiu ao encontro deles. Contou-lhes como Susan estava e o que ela havia decido fazer. Eles queriam que ela denunciasse os agressores, mas tinham de respeitar sua decisão. Henrique não ficou nada satisfeito em saber que Mel iria se afastar dele por algum tempo.
– Quanto tempo vai durar essa viagem? – Quis saber.
– Não sei. Talvez as férias todas. – Respondeu ela sem saber ao certo.
– Por que não vamos todos? – Ryan quis saber. Os outros o olharam com certo entusiasmo.
– Isso! Colocamos umas barracas de camping na caminhonete do Henrique, acampamos em alguns lugares e voltamos no fim das férias. – Disse Ryan empolgado com a ideia.
Peter e Henrique toparam na hora. Mel ligou dali mesmo para Susan e contou sobre o que eles queriam fazer. Susan achou ótima a ideia de Ryan e assim ficou combinado. Peter precisava de uma semana para ajudar o pai em algumas encomendas de móveis e para resolver um problema pessoal, depois disso poderiam cair na estrada.
Susan estava decidida a ficar em casa durante a semana sem pôr os pés na rua, queria evitar qualquer tipo de constrangimento, dando de cara com seus agressores. O pai de Peter nada gostou da ideia do filho viajar, já que eles tinham muitas encomendas. Peter disse que faria o possível para adiantar algumas delas, mas ele não desistiria de viajar com os amigos. Depois de uma longa discussão seu pai foi obrigado a aceitar.
Peter é um homem de pavio curto, muito justo, mas um interiorano como os outros homens da cidade. Estava acostumado a resolver seus problemas de uma forma própria.  Sabia dos costumes de Brad, dos lugares que estava acostumado a frequentar. A ideia do que fez a Susan e de que podia mostrar aquele vídeo a alguém se vangloriando de seu feito, estava consumindo-o. Peter teve uma semana para criar uma oportunidade de pegar Brad sozinho. E esse dia chegou, coincidentemente uma noite antes de irem viajar, seria sua última oportunidade naquele momento. Peter seguiu Brad até o bar da estrada e esperou até o momento que ele sairia de lá. Quando avistou Brad sair, o seguiu em seu Mustang preto. Quando viu que a estrada estava vazia, acelerou o ultrapassando e freando em sua frente. Brad não teve nem tempo para saber o que estava acontecendo. Peter desceu do carro e acertou dois tiros bem no peito dele, atravessando o vidro da frente do carro e alojando-se em seu corpo, Brad morreu na hora. Peter rapidamente encostou seu carro na estrada e depois entrou no carro de Brad, o conduzindo até a mata de canto da estrada e o escondendo entre as árvores. Mas antes de ir embora, Peter pegou o celular de Brad para ver se ainda havia registrado as imagens que fez de Susan e o guardou consigo.
No dia seguinte, 20 de junho ainda com o sol a nascer; Henrique passou na casa de cada um de seus amigos para pegá-los e seguirem viagem. Com os últimos acontecimentos, Henrique não encontrou o momento certo para pedir Mel em casamento, mas tinha certeza que depois dessa viagem tudo estaria mais calmo e ele estaria pronto para fazer o pedido. Até aquele momento o pai de Brad não sabia que o filho estava morto, nem Dean, seu irmão que só chegaria à cidade no dia seguinte, depois de uma longa viagem.




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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Anne Ferreira Costa


25 anos, natural de Campina Grande-PB, sempre residiu em Queimadas-PB, atualmente na zona rural. Graduada no Curso de Letras/Espanhol pela Universidade Estadual da Paraíba (2015). Titular do Projeto Monitoria Virtual - UEPB. Foi monitora da Disciplina de Língua Espanhola I (2013) e membro do Grupo de Pesquisa Formação Docente em LE cadastrado junto ao Diretório de Grupos do CNPq – UEPB (estudante). Musicista: violão (2001), guitarra (2005), teclado (2015). Violino pela EMAD (2007-2011). Artesã miniaturista autodidata, desde novembro de 2013 desenvolve miniaturas, incluindo em suas criações instrumentos musicais, antiguidades, desenhos/quadros, esculturas em grafite (ponta de lápis) e grafia em casca de ovo. Valorizando a sustentabilidade, utiliza materiais recicláveis para desenvolver suas “Mini obras de arte”. Em 2014, pelo Clube de Autores, publicou o livro Alzheimer é como ser mãe, não vem com manual: eu, minha mãe e o nascimento de Baby (1º edição) 115p., nas versões impressa e e-book. Sua última obra foi uma piscina sobreposta, em forma de piano de cauda, feita em tijolo, concreto e cerâmica, medindo 4mx5m e 1m de altura. Obra esta, que a fez representar a Paraíba em nível nacional através da maior TV aberta do país. Recentemente fez exposição de suas miniaturas no Cine teatro São José, durante o curso de verão em Campina Grande.







Por que a escolha desse tema [violência]?


Em entrevista a autora afirmou que além de ser um tema delicado, ela, como foi dito, sempre viveu em Queimadas, cidade que tomou destaque pela barbárie do estupro coletivo, além de outros crimes que infelizmente aconteceram. “Segundo, tenho o costume de ligar a tv todos os dias pela manhã para ouvir os jornais enquanto me preparo para ir trabalhar. Quase todas as vezes tenho ouvido sobre crimes e mais crimes contra mulheres: mães, dona de casa, executivas, crianças, jovens, artistas, militantes...enfim, é um tema que é tão real, tão sequencial que a sociedade acaba não se surpreendendo mais. Isso é ruim, a sociedade não pode tratar o que acontece todos os dias como uma mera rotina, não, rotina é acordar todos os dias e ligar a tv, é todas as manhãs revisar relatórios, é fazer almoço, é almoçar no mesmo horário, ou ouvir a mesma música. Crime é crime, violência continua sendo violência e as vítimas são várias. Temos que bater na mesma tecla sim, temos que lutar, temos que gritar, temos que reagir, não importa a forma. Muitas pessoas vão para a rua, outras denunciam ao 180, Algumas pintam uma faixa, ou usam da oratória, escrevem uma música, gritam, cada qual usa seu dom, suas habilidades para a lutar. Eu escrevo, faço arte. Foi minha forma de contribuir nessa luta.” Disse a autora



TRECHOS:
 “Homi, deixe de ser grosso E Aprenda a falar Grosseria tem limite Mulher não é pra brincar Pra defesa tem até estatuto A mulher não é um produto Que você pode comprar” 

 “A vítima é mãe, é filha É prostituta, É humana, É pobre é rica É doutora, é criança Não queira botar a culpa Na agredida como desculpa A Lei não é insana”

“Na internet e nos jornais Em tudo quanto é canto noticia Vire-mexe sai como destaque Mais uma vítima, anuncia O cabra viril e forte Sem temer nem mesmo a morte Viola, espanca e mata uma guria”

TRECHOS:
[...] “Mas a vida refleti que eu tenho muito valor Lembrei que minha Vó dizia Menininha, em mulher Não se bate nem com uma flor Tomei coragem, acordei Não vou viver de um falso amor A menininha aprendeu... Em mulher não se bate nem com uma flor.”



                                         








Jéssica Morgan 

E.D.A